Por André Resende – Jornalista e colaborador do Jornal do Síndico
Publicada em 01/12/2025
A modernização da administração de condomínios passa por uma revolução silenciosa: a coleta e análise de dados de consumo para otimizar recursos essenciais como água, energia elétrica e gás. Essa abordagem, conhecida como Utilities Tech, vem ganhando espaço entre síndicos e administradoras que buscam reduzir os desperdícios invisíveis do dia a dia e tornar a operação mais sustentável, tanto economicamente quanto ambientalmente.
No Condomínio Bela Vista, na região metropolitana de São Paulo, a síndica Josefa Silva relata os primeiros resultados dessa virada tecnológica. Ao adotar uma plataforma de inteligência de dados, foi possível monitorar com precisão os padrões de consumo do edifício, identificar horários de pico e detectar falhas em equipamentos. “Antes, era impossível saber se a bomba da piscina estava consumindo energia demais ou se havia vazamentos pequenos que passavam despercebidos nas faturas. Agora, entendemos o que acontece por trás dos números”, conta Josefa.
benchmarks – Especialistas explicam que a falta de visibilidade sobre os consumos individuais é um dos maiores gargalos na gestão tradicional de condomínios. Sem dados estruturados, muitos desperdícios passam despercebidos, e os síndicos acabam apenas reagindo a faturas altas, sem ter clareza sobre a origem do problema. Com as soluções de Utilities Tech, as faturas são digitalizadas, armazenadas e analisadas por algoritmos que cruzam informações históricas e comparam com benchmarks de consumo, detectando automaticamente anomalias ou cobranças divergentes.
Os benefícios são imediatos. Segundo dados do mercado, condomínios que adotam esses sistemas podem registrar redução de 10% a 35% no consumo de água e energia, e até 15% no gás. No caso do Condomínio Bela Vista, os ajustes recomendados pela plataforma permitiram reprogramar equipamentos para horários de menor demanda e migrar parte da operação para o mercado livre de energia, o que gerou uma economia superior a 30%.
Sustentabilidade – Além da economia financeira, a gestão orientada por dados reforça a sustentabilidade do empreendimento. A análise constante permite identificar vazamentos, leituras incorretas de medidores e ineficiências operacionais, reduzindo o impacto ambiental. Também incentiva uma cultura de consumo consciente entre os moradores, porque os relatórios gerados mostram claramente onde há desperdício e incentivam a participação coletiva.
A tecnologia por trás dessas soluções combina big data, inteligência artificial e automação. Depois de digitalizar as faturas, os algoritmos comparam o consumo atual com históricos e padrões ideais, em busca de irregularidades. Quando detectam desvios, emitem alertas para a administração, e em alguns casos, já sugerem ações corretivas ou ajustes operacionais.
E o trabalho não termina na implantação: a plataforma oferece monitoramento contínuo e relatórios periódicos. Reuniões regulares entre síndico, administradora e fornecedores garantem que os insights identificados sejam transformados em ações efetivas, mantendo a eficiência no longo prazo.
Ainda que muitos gestores vejam como um custo inicial, essa tecnologia tem se mostrado um investimento com retorno claro. O desafio, segundo Mariana, é derrubar resistências: “Algumas pessoas acham que medir tudo é complicar a vida. Mas, na prática, é o contrário, a tecnologia simplifica, pontua os problemas e ajuda a planejar o futuro do condomínio.”
A adoção de Utilities Tech representa uma mudança de mentalidade: sair da administração reativa para uma gestão inteligente, baseada em dados e evidências. Para síndicos comprometidos com a sustentabilidade e com a saúde financeira do condomínio, essa pode ser a estratégia mais moderna e eficaz para alinhar eficiência, transparência e cuidado com o meio ambiente.