Lei determina que condomínios reaproveitem “água cinza”

Lei determina que condomínios reaproveitem “água cinza”

Por Desirée Miranda com informações da EBC

 

Entrou em vigor em todo o Brasil, no mês passado, a lei 14.546/23, que obriga o governo federal a estimular o uso de água das chuvas e o reaproveitamento não potável das águas cinzas, aquelas descartadas em chuveiros, pias, tanques e máquinas de lavar. A lei altera a legislação do Saneamento Básico no país e é válida para novas edificações.

Embora a medida não especifique as formas de estímulo, o dispositivo legal estabelece que os reservatórios destinados a acumular águas das chuvas e águas cinzas devem ser distintos da rede de água proveniente do abastecimento público.

Na prática, isso significa que os novos empreendimentos devem prever a separação da água que pode ser reutilizável, daquela que deve ser imediatamente descartada. A água cinza, depois do tratamento, pode ser usada na limpeza das áreas comuns, passeios, garagens e equipamentos dos condomínios.

Economia – De acordo com o presidente do Sindicato dos Condomínios Comerciais, Residenciais e Mistos de Minas Gerais (Sindicon MG), advogado especializado em direito condominial, Carlos Eduardo Alves de Queiroz, uma das maiores despesas dos condomínios é com a conta de água, especialmente naqueles em que não há individualização.

Por isso, o reuso é uma boa iniciativa para economizar. “Para lavar pisos, muros de vidro e chão da garagem, por exemplo, não é necessário utilizar água limpa e potável. A água de reuso é o suficiente. Então, quando o condomínio está preparado para fazer essa reciclagem, ele faz uma grande economia na conta de água no fim do mês”, diz o presidente.

Meio Ambiente – Além disso, a reutilização da água favorece a natureza, já que menos desse recurso é usado e descartado sem necessidade. “A gente tem que pensar que nos últimos anos se tornou comum os reservatórios apresentarem níveis abaixo do desejado. A preocupação com a água é agenda do presente. Precisamos preservar e economizar. Esse é mais um bom motivo para investir no reuso”, conclui Carlos Eduardo.

A lei diz ainda que antes da reutilização, é preciso fazer o tratamento da água. Para isso, o condomínio deve procurar uma empresa que faça a instalação de reservatórios para captar a água que pode ser reaproveitada, sistema de filtragem e tubulação para que ela seja distribuída.

 

BH – Em Belo Horizonte isso já é realidade em alguns condomínios como o Ed. Monterosso e Piazza Fontana. As duas edificações já foram projetadas para captar e reaproveitar a água utilizada nos banhos, pias e máquinas de lavar roupas. Segundo Ana Cláudia Moreira, que é síndica profissional nos dois edifícios, o sistema é constituído de reservatórios, bombas, filtros e as dosadoras dos produtos (cloro e sulfato de alumínio), que vão fazer o tratamento dessa água. Cada sistema é pensado em função do número de unidades. “A água tratada serve para irrigar os jardins e em alguns casos, podem até ser utilizadas nos vasos sanitários das unidades como no caso do Piazza Fontana”afirmou.